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Algo de podre no reino

A desastrada história da estação mambembe de tratamento de esgoto, inaugurada há pouco, é a prova provada (permitido o pleonasmo) de que o prefeito Júnior Franco está entregando os pontos antes mesmo do começo do jogo.

Afinal de contas, não é crível que um profissional experimentado na área de
tratamento de água e esgoto de uma cidade, assessorado por outro (seu vice, na
futura chapa) com igual ou maior experiência na mesma área, ambos ex-presidentes do SAEMA, não tenham, ao menos por um segundo, antevisto o desastre que a feitura de um arremedo de ETE ocasionaria.

Boa parte da cidade está empestada pelo mau cheiro das obras (sem trocadilho)
capitaneadas pelos dois e mesmo assim seus novos corneteiros, todos ligados
umbilicalmente com os donos da Igreja do Evangelho Quadrangular da cidade,
trombeteiam “a coisa” como se fosse a oitava maravilha do mundo.

A lição que o nosso articulista Justus Júnior ministra logo mais, na página
quatro, mostra, em detalhes, os caminhos deliberadamente percorridos por Júnior
e Carleto (com a IEQ jogando o “mérito” para a atual presidente da autarquia, ao
que tudo indica uma inocente útil), todos mostrando que dariam num abismo.

E é inacreditável que, em tempos de pandemia (desgraça só vista no mundo – e
muito pouco por aqui – há mais de 100 anos), prefeito e vice tenham se prestado ao descalabro de enfiar dinheiro bom numa empreitada ruim, especialmente quando se tem em mente que, logo mais, os dois estarão ombro a ombro com os eleitores da cidade, buscando seus votos.

Trata-se de uma tática altamente suicida, imaginada por algum imbecil em
marketing ou, ao contrário, de uma estratégia engendrada por um ser dotado de
predicados celestiais, traduzidos em ambos os sentidos da escatologia.

Sinais da péssima vontade em reeleger-se foram mostrados quando Júnior Franco manteve Carleto como seu vice em sua chapa, desprezando a luxuosa presença de Bonezinho, seu fortíssimo adversário nas eleições passadas, só vencido pela força que os Eliseus ainda mantêm exatamente na Zona Leste, cujos habitantes agora estão sendo sufocados pelo bodum enfiado nariz abaixo pela dupla governante.

Júnior Franco tem tempo de mudar de ideia e voltar a querer seguir como
prefeito da cidade? Sim, tem, mas não muito.

Precisará, porém, muito mais do que rezas, especialmente as de pecadores.
Terá que contratar um baita especialista em exorcismo e seguir religiosamente
seus conselhos para tentar – vejam, tentar – reverter o assombrado quadro.

Do contrário, melhor mesmo será seguir com a vontade que se solidifica a cada
dia que passa, no sentido de entregar o jogo para quem quiser jogar. Ele, ao que
tudo indica, cansou, faltando, para cair fora, apenas o seu boné. Sem trocadilho.

 

 

 

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