Ou bem cabeludo, ou careca de tudo. Não tem outra alternativa

A Secom informou que “O Governo Estadual anunciou nesta sexta-feira (10) que os municípios que integram a DRS-X de Piracicaba (Diretoria Regional de Saúde), a qual Araras faz parte, progrediram para a Fase Laranja do Plano São Paulo de combate ao novo coronavírus (covid-19). Até então, a região estava na Fase Vermelha (alerta), permitindo a abertura somente do comércio essencial.

Com essa decisão do Estado, a Prefeitura de Araras informa que o comércio local não essencial poderá reabrir neste sábado (11), das 9h às 13h. E de segunda a sexta, das 13h às 17h, mesmo horário anteriormente definido entre Prefeitura e Acia (Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Araras).”.

Novamente o prefeito Júnior Franco erra e erra feio.

Vejam, estamos em plena pandemia, com casos e mais casos de contaminados sendo noticiados todos os dias.

Assim, tanto faz se o Doria nos coloca na faixa lilás, verde-rosa, pink ou qualquer outra da aquarela ou do arco-íris, pois, temos que ver o que é que está acontecendo à nossa volta, na esquina, no vizinho, dentro de casa.

E os números oficiais, publicados pela própria Secom, mostram que já tivemos 4.716 notificações, com 777 casos confirmados (mais de 16% do total), 31 pessoas na UTI e Ala Covid, 265 em isolamento domiciliar, com 23 óbitos já declarados como motivados pela doença.

De sexta-feira retrasada até sexta-feira passada, tivemos um aumento de 857 notificações, 213 confirmações, 68 pessoas a mais no aguardo de resultado e quase o dobro de mortes (de 14 para 23).

Ora, se tais números não são suficientes para a adoção de medidas mais enérgicas, não sabemos quantos números mais bastarão para que se entenda que estamos no mais completo vermelho.

Agora, se Júnior Franco quer ouvir o pessoal da ACIA para tomar decisões, estará ouvindo a raposa pedindo mais galinhas no galinheiro.

Sabemos que o comércio e a indústria precisam girar; entretanto, a hora não é agora.

Na semana que vem todos verão o resultado das erradas decisões do momento.

Entretanto, como palavra de rei não volta atrás, o comércio deve ter sido aberto no horário informado (está página foi escrita na sexta-feira – 10 – às 21hrs.) e, não se duvida, outra vez deve ter sido formado aquele formigueiro humano para comprar ralador de queijo, saca-rolha, o tal espremedor de limão, enfim, coisas de extrema necessidade, sem as quais as famílias podem morrer às pencas, não é mesmo?

Sendo assim, é de se dizer: se não está sendo careca de tudo, tem que ser bem cabeludo.
E bem cabeludo é abrir o comércio de artigos não essenciais das 8 às 18 horas no sábado, porque, fechá-lo às 13 horas, importa em fomentar as aglomerações, já que somos um povo absolutamente inconsequente.

Contudo, cá pra nós, como é a ACIA que está dando as cartas, ela quer o bônus sem pagar o bônus. Em outras letras: pagar 5 horas para os funcionários é melhor do que as 10 de um dia “normal”, valendo a máxima: farinha pouca, meu pirão primeiro.

Estamos errados, senhor prefeito?

 

ABRIGO DE CAMPANHA

Uma sugestão a ser analisada e que pode ser implantada

Um dos maiores problemas enfrentados por todos os que atuam na linha de frente do combate à COVID-19, é ter que tratar de uma pessoa, curá-la e dar de cara com um parente da mesma com o mesmo diagnóstico, tendo que repetir todo o tratamento.

Este é um dos relatos recorrentes de médicos, enfermeiros e gestores públicos.
E por que tal se dá? Porque, muitas vezes, a pessoa diagnosticada com a Covid, que não apresenta sintomas graves, recebe a recomendação de confinar-se em casa.

No mais das vezes, contudo, tais pessoas moram em casas de poucos cômodos, as quais não possuem pelo menos um que possa ser destinado ao confinado, muito menos têm um banheiro privativo para que o isolamento durante duas semanas seja completo e eficaz.

Daí a transmissão aos demais moradores.

Considerando que a prioridade dos governos é (ou pelo menos deve ser) a de salvar vidas, especialmente em tempos de pandemia, entendemos que a construção de “Abrigos de Campanha”, aos moldes dos “Hospitais de Campanha”, apresenta-se como uma viável solução para casos tais, imperando dizer que o custo per capita será muito menor do que aquele que tem sido gasto com os tratamentos das pessoas contaminadas por contaminados (válido assim dizer) dentro da própria casa, não obstante a impropriedade de falar-se em custos quando temos vidas em risco.

E logo ali, ao lado do Hospital São Luís, temos o Estádio Joel Fachini, com espaço mais que suficiente para abrigar, com algum conforto, pelo menos 340 pessoas, em áreas individuais de 6m²/2 pessoas, posto ter em torno de 5 mil metros quadrados apenas no que diz com o campo de futebol.

É dizer, tivesse já sido construído tal abrigo, todas as pessoas que hoje estão em isolamento domiciliar poderiam estar neste abrigo, evitando a contaminação dos seus familiares, bem assim também as pesadas despesas que toda pessoa isolada ocasiona.

Os demais espaços do Joel Fachini podem acomodar seguramente várias salas para todas as áreas médicas para atendimento de baixa complexidade, inclusive ligadas remotamente ao Hospital São Luís, para eventuais intercorrências.

Tudo é uma questão de querência (como dizemos nós, os antigos) e a participação da comunidade por meio das entidades de classe daqui.

Dinheiro para a concretização da ideia é o que não falta, especialmente agora que o governo federal liberou substancial verba para os nossos municípios.

E tem mais: Araras é privilegiada em termos de profissionais da construção (cujo decano é Tite Pavan), pessoas que, em tempo recorde, podem apresentar as soluções mais econômicas e eficazes para o propósito.

Bem programada e organizada a construção, com fiscalização direta (opcional) dos nossos onze edis, em quinze dias, no máximo, o abrigo estaria pronto.

E se o prefeito Júnior Franco nada mais fizesse em seu governo, ou seja, que fosse prefeito de uma só obra (desprezadas as que já fez), que seria a de salvar o maior número de vidas dentro de uma pandemia, já teria direito de entrar para

História como o prefeito de todos os prefeitos que Araras já teve. A sugestão está na mesa.

 

Totalmente fora do cabo

Projeto de Deise Olímpio é a soma do nada com coisa nenhuma

A vereadora Deise Olímpio apresentou na sessão camarária passada, mais um projeto que aqui no Já! costumamos chamar de tatutixa, ou seja, uma mistura de taturana com lagartixa.

Trata-se de uma viagem alucinógena pelos campos da pandemia, vez que, dentro de um português horrível, cheio de erros, busca rasgar a Constituição (justamente por uma advogada) e, ao mesmo tempo, atazanar a vida das pessoas, vida que já não está lá tão fácil assim.

Vejam a exposição de motivos que ela fez ao vereador Carlos Alberto Jacovetti, Presidente da Câmara:

“Excelentíssimo Senhor Presidente,
Venho pelo presente, com supedâneo no art. 2º, § 1º do Regimento Interno desta Câmara Municipal, apresentar a V.Exa. e digníssimos pares o projeto de lei que “Estabelece a obrigatoriedade dos supermercados, indústrias, comércios e agências bancárias de realizar aferição de temperatura corporal dos clientes, funcionários, colaboradores ou fornecedores antes de adentrarem ao recinto através de termômetros infravermelho ou outro instrumento correlato.”

JUSTIFICATIVA

Em razão da crise provocada pela pandemia do Coronavírus, há necessidade do regramento de novos comportamentos da sociedade, para tanto estou apresentando proposição através deste projeto de lei, que prevê a obrigatoriedade da aferição da temperatura corporal de todo aquele que deseje ingressar, acessar ou circular em supermercados, indústrias, comércios e agências bancárias no Município de Araras.

A medição da temperatura corporal é um dos procedimentos para diagnóstico da COVID-19 recomendado pelo Organização Mundial da Saúde (Coronavírus disease 2019 COVID-19 Situation Report – 65, “Check the body temperature of employees daily so that employees with fever don’t come to work”, “Verifique a temperatura corporal dos funcionários diariamente para que os funcionários com febre não trabalhem”, pg. 3, World Health Organization, 25 March 2020) e pelo do Ministério da Saúde do Brasil (Protocolo de Manejo Clínico do Coronavírus – COVID-19, “O paciente com a doença COVID-19 apresenta geralmente os seguintes sintomas e sinais: Febre (>37,8ºC)”, 2.1 Sinais e Sintomas, pg. 4, Secretaria de Atenção Primária, Ministério da Saúde, Março de 2020, Brasília/DF).
O procedimento deverá ser realizado de modo universal, indiscriminado, em todas as pessoas que ingressem, acessem ou circulem nos estabelecimentos, sejam elas clientes, funcionários, colaboradores ou fornecedores.

Diante de todos os argumentos expostos, e certos da compreensão, esta Vereadora solicita aos nobres vereadores que compõem este Legislativo a aprovação do presente projeto de lei”

E aí vem a tatutixa:

Vejam, obrigar alguém a alguma coisa, sem estabelecer uma penalidade em caso de descumprimento, é o mesmo que tentar dialogar com a atriz na novela pela TV.

De outro giro, quem é que poderá limitar o direito constitucional que as pessoas têm de ir e vir, sem que haja, pelo menos, um decreto de “estado de sítio”, medida que a vereadora não tem o poder de determinar.

Assim, se de um lado a obrigação que ela pretende impor aos supermercados, indústrias, comércios e agência bancárias locais é risível, por ser desprovida de força real, de outro lado a limitação da locomoção das pessoas é inconstitucional.

Já em relação ao parágrafo 3º, muito mal redigido (“não deve ingressar no estabelecimento e orientado a procurar atendimento médico em unidade de saúde”), bem de ver que se mostra em conflito com o parágrafo anterior.

Observem: enquanto um diz ser “vedado o ingresso” de pessoa (sabe-se lá aonde), o outro fala que tal pessoa “não deve ingressar” (…) “no estabelecimento” se apresentar uma temperatura superior a 37,8ºC.

Muito que bem. Aí tem lá um sujeito com febre, querendo entrar numa farmácia (comércio), cujo dono tem que medir-lhe a temperatura e se ela estiver acima do tal limite, não permitirá que ingresse, nem mesmo para comprar um Anador?

Estamos ficando apenas no raso, pois a coisa é tão estúpida legalmente, que muito nos admira ter partido de uma advogada.

Agora, a tatutixa será aprovada?

Com os edis que temos poderá ser, sim! E com declaração de votos.

Mas nada que preocupe, pois, como na música do Raul, nem o comerciante estará lá para medir, nem o febril deixará de ir para consumir.

Simples assim.

 

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