Ja Online

Nas pegadas do pai

Também autointitulada “Pastora”, Aldléia abre espaço

Terceira das filhas do casal Brocanelli, Aldléia Brocanelli capitaneou um vídeo que alguma boa alma enviou para a nossa redação, possibilitando, assim, que conhecêssemos as prendas religiosas da lindíssima moça.

Tal qual a mãe, comete o pecado de postar-se de estátua diante da câmera (com direito a limpada de garganta com o microfone aberto), escorada num fundo musical insosso.

O vídeo tem por título: “Culto de louvor e adoração em seu lar. Pra Aldléia Brocanelli” (e as heresias: “Gravado ao vivo” e “Pra”, como abreviatura de “Pastora”. Ora, falamos de uma transmissão “ao vivo” ou de uma “gravada”. “Gravado ao vivo” não existe; assim como não se abrevia a palavra “Pastora” com Pra, sem ponto).

Mas, vamos lá. Depois de mais de um minuto posando de avenca, Aldléia disse ter sido convidada para a pregação exibida no tal vídeo.

E lá escolheu o Livro dos Provérbios, Capítulo 8, versículo 12. Depois de achar um que pôde manipular a seu gosto, entrou no assunto que a levou ao ‘culto’: a política.

Depois de um tempo, após criticar o comportamento da população, disparou: “Aqui em Araras, então, nem se fale. Parece-me que, aqui em Araras, o evangélico não direito de ter capacidade técnica, intelectual. Só quem não é evangélico, tem; quem é evangélico aqui, na mentalidade de alguns, não pode.”

Tudo para justificar (pelo menos no trecho que ouvimos), os que criticaram (e ainda criticam) a enfiada goela abaixo do prefeito Júnior Franco, do Beraldi para uma das secretarias do Executivo(falamos disso a semana passada).

Exaltada, disse que dizem que o prefeito nomeou um da IEQ (o Beraldi, supomos) “…porque quer agradar ao pastor, porque o pastor mandou. O pastor não manda na Prefeitura, viu?”.

E não manda, mesmo, minha cara! E quem pensa que o Júnior é um bobão, está muito enganado.

Seguindo em sua pregação, afirmou: “Não existe voto de cabresto na nossa igreja. Para com essa conversa fiada, com essa conversa rasteira, nojenta, de que aqui as pessoas, os membros da nossa igreja não têm liberdade. Têm liberdade, sim. As pessoas são livres. Elas votam em quem elas querem”.

Mas que doce! Talvez porque passe a maior parte do tempo em São Paulo, não soube e nem lhe contaram que o próprio pai, em aparição na Câmara Municipal – numa das várias homenagens que os três da IEQ lhe fizeram – não se pejou em chamá-los de “meus queridos vereadores”, não no sentido carinhoso do trato (como a própria Aldléia faz), mas no sentido de posse mesmo.

Aliás, Deise, Marcelo e Regina não negam (e se negassem contrariariam os predicados dos evangélicos) que devem suas eleições à Igreja do Evangelho Quadrangular.

Mas, sigamos. Logo após à fala sem suporte, fingiu-se surpresa e disse: “Ah, e agora surgiu uma novidade aqui em Araras: “ (…) “Foi contratada uma pesquisa e as pessoas estão recebendo ligação de telefone, para falar (sic) a respeito de sua (sic) intenção (sic) de voto. E olha que interessante nessa pesquisa, diz assim: ‘Você votaria em alguém que fosse indicado pelo pastor Brocanelli?’. Oi?” (A propósito, este “oi” com biquinho, ficou lindo) “É, sim, é isso mesmo, a pergunta é essa. Uma das perguntas da pesquisa, é essa. Você votaria? – Como assim? – uma pessoa da igreja perguntou. Não, porque ele vai apoiar um candidato. Ele vai? Num tô sabendo. Eu sou filha dele e não estou sabendo”.

Morreu feito peixe (coisa de família, pois Brocanelli é useiro e vezeiro em contrariar-se).
Observem que a frase tenta passar a impressão de que a pergunta não lhe foi dirigida; entretanto, em seguida, mordeu isca, anzol e chumbada, completando: “Ele vai? Num tô sabendo. Eu sou filha dele e não estou sabendo!”.

Ora, minha cara, dê-nos licença!

Cremos que no ensaio a coisa deve ter sido melhor, não foi? Sim, pois, fosse sincera, diria: “Ao ser perguntada se apoiaria uma pessoa indicada por meu pai, diria sim ou não, dependendo do meu juízo sobre ela”. Ou não, minha cara pregadora?

Mas não parou nisso, completando, disse: “Quer saber a verdade? Nem ele tá sabendo. Nunca deu apoio a nenhum candidato!”.

Aí seria melhor que Aldléia parasse, respirasse profundamente e viajasse ao seu interior.
Depois, olhando no fundo dos olhos de Cristo (imaginados, certamente, pois os evangélicos não acreditam em imagens, não sabendo, portanto, se Jesus teria sido alto, baixo, gordo, magro, feio ou lindo, pois não?), dissesse: “Apaga esta parte. Meu pai não só apoiou, como indicou aos membros da IEQ os candidatos nos quais exigia que estes votassem”.

Assim fizesse, não mentiria para Deus, pois Ele sabe que ela sabe estar mentindo.

A propósito, sempre trago aqui uma frase do saudoso amigo e Professor Pedro Pessoto, dita sempre que ouvia o nome de um finório da cidade: “Ele mente, comumente, e como mente!”.

Outro ponto: ao dizer que o pai tem o “direito de declarar o voto dele, se ele quiser”, embora seja advogada, não deve lidar bem com a área eleitoral. O pai, sendo dono de uma igreja e colocando-se como proprietário do rebanho, não tem não tal direito.

Na verdade, depois que deitou e rolou sobre isso, Brocanelli agora terá que pisar em ovos, com meias de pelúcia, pois o ministro Barroso já avisou que os religiosos (católicos, evangélicos et caterva), não mais poderão opinar, em missas, cultos ou qualquer outro tipo de reunião, sobre tal ou qual candidato lhes parecem “mais melhor de bom” ou “bem pior de ruim”.

Pausa para lembrar a velha piada sobre um padre católico, apostólico, romano, que tinha seu rebanho na divisa do Brasil com a Argentina e odiava tanto los hermanos, que vivia dizendo: “Cristo foi traído por um desses argentinos dos infernos, irmãos do capeta”.

E era um xingamento em cima do outro, até que o bispo da sua Diocese teve que intervir, não só admoestando-o, como também o ameaçando: “Na próxima agressão aos argentinos, o coloco pra fora da igreja e o excomungo”.

Na missa seguinte, com a igreja lotada de argentinos, resolveu fazer a homilia abrindo a Bíblia aleatoriamente (mais ou menos com fez Aldléia no vídeo que estamos tratando) e… crau!

Mateus, 26:21 – “Enquanto comiam, declarou Jesus: Em verdade vos digo que um de vós me trairá”..

Ficou branco, azul, vermelho, mas seguiu.

Lá pelas tantas, disse o versículo. Mas, não contente, inventou um versículo, ou seja, o 21A, de seguinte teor: “Imediatamente João perguntou: Serei eu, Mestre? E Jesus disse não. Em seguida, Pedro também indagou: Serei eu, Mestre? E Jesus disse não. Aí foi a vez de Judas questionar: “Entonces, ¿seré yo, maestro?”

Deixando a profundidade de lado (como diria Belchior), voltemos à pregação da “pastora” Aldléia, justamente na parte em que ela começou a se enroscar nos capítulos e versículos bíblicos, começando por afirmar que: “Jesus disse que satanás é o príncipe desse mundo. Mas ele disse assim: Jesus é o príncipe deste mundo…”.

Afinal, quem é que é o príncipe de quem? Aquele que ela disse que Jesus disse, ou seja, satanás, ou aquele que ela leu na Bíblia, ou seja, Jesus? Deu tilt, foi?

E assim caminhou por todo o tempo em que esteve no ar.

Necessário dizer que já aprendeu a técnica da enganação, vez que, nos moldes do Padre Vieira (“Maldito seja o Pai! Maldito seja o Filho! Maldito seja o Espírito Santo!” – lembram?), vez em quando afirmava: “Brocanelli manda na cidade? Manda sim! É… ele manda sim!”.

Aí dava uma pequena pausa, para completar: “Ele manda, eu mando” (e o fecho apoteótico) “Você manda!”.

Vivo fosse o Padre Santo Marino (ou Marine), certamente diria: “Que beleza, que lindo, que maravilha!”.

Enfim, para quem tinha que aturar a mitomania do pai, agora terá que suportar a da filha.

Com uma infernal (no sentido elogioso, se é que se pode ter algum assim) diferença: apesar dos seus 44 anos (confessados), faz inveja a qualquer atriz em início de carreira em Hollywood.

Linda. Lindíssima. Seguramente herdou a beleza da mãe. Pena que também os feios costumes do pai.

Considerando que esta é a terceira semana que publicamos coisas da IEQ, entrou no nosso radar a possibilidade de criarmos uma novela: toda semana um novo capítulo.

E seus versículos, em pérolas como estas: “É assim que a lei nos ensina”. A lei não ensina, Aldléia, ela impõe. Ensinar, é uma coisa; impor, é outra bem diferente.

“Graças a Deus nós vivemos num Estado laico”. Minha linda, por Deus o Estado seria todinho cristão, posto que a laicidade é a que dá abrigo aos demônios da vida. Ou não?

“Nunca aconteceu! Não vai acontecer, abuso de poder religioso”. Por favor, conte outra. Nós temos um vídeo no qual o seu pai, em um programa dele na Rede Opinião, usa, abusa e lambuza-se com o ‘poder religioso’, a ponto de rogar pragas em seus desafetos.

Quer assisti-lo, doutora? E, em assistindo-o, vendo a prova do extremado abuso, a senhora deixa a IEQ e confessará, publicamente, que seu pai sempre foi uma pessoa despótica?
Negócio fechado? Então mande-nos por escrito, com firma reconhecida, sim?

“Nós temos que ser fieis a Deus em tudo, inclusive na transmissão de toda a palavra, de toda a vontade de Deus. Por isso que o apóstolo Paulo, declarou o seguinte, que ele não era, não seria culpado do sangue de ninguém…”.

Em qual lugar da Bíblia a senhora leu exatamente o que disse, Aldléia? Ou terá sido algum apóstolo (tipo Apóstolo Santiago) de alguma IEQ?

Só pode, pois não há um só lugar nos Livros Sagrados, em que tal frase esteja escrita.

A nossa linda pregadora, já quase chamando Jesus de Genésio, certamente se confundiu com uma passagem de Êxodo (22:2), que diz: “Se o ladrão for achado roubando e for morto, o que o feriu não será culpado do sangue”.

“Nós não fomos chamados para ser sal e luz?”. Não, minha bela, não fomos. Os apóstolos é que quase foram assim chamados. Quer precisão? Pois não: ‘Vós sois o sal da terra’ e ‘Vós sois a luz do mundo’ (Mateus 5: 13-14).

Apenas como o Capítulo I, versículo I, do nosso Apocalipse, Aldléia, aprenda com quem já leu e conhece mais de nove versões da Bíblia (inclusive a de Wycliffe), quatro delas em português, além dos livros sagrados Torá e Alcorão, com a vantagem de saber as escrituras de Baruc, Eclesiástico, Judite, Sabedoria, Tobias, 1 e 2 Macabeus (que os evangélicos não aceitam): jamais se fecha um livro sagrado como você fechou, ou seja, da contracapa para a capa. Trata-se de uma ofensa à Palavra de Deus e o castigo é severo.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *