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Queimando a língua ou torrando o filme

Sem um centavo de verba, Bonezinho lança-se aos leões numa disputa cara

Eleito vereador em 2012, em primeiro lugar com 4.849 votos, cumpriu um mandato discreto, sem destaques.

Em 2016, ele e Breno Cortella, ambos contrariando a nossa opinião, aventuraram-se ao posto máximo do Executivo, amargando um terceiro lugar com 10.826 votos, tendo Breno segurado a lanterna com 10.691 votos. Pedrinho Eliseu venceu com 28.788 votos e o Eng. Paulinho ficou em segundo lugar com 14.137 votos.

Em 2018, em disputa cabeça-a-cabeça com Júnior Franco, só não levou “a taça” porque o atual prefeito contou com a força dos Eliseus e com a insensatez de Daniel Barros que, sabe-se lá marionetado quais mãos e cordões, cismou de entrar na disputa, ficando com 5.471 votos dela.

Outro ponto não considerado por Bonezinho, foi a imensa rejeição que o seu então mentor, Durvalino Brocanelli, tem junto à população. Afinal, foram 8.427 votos nulos; 4.125 votos em branco e 19.744 abstenções.

A soma dos eleitores que, de uma forma ou outra, não quiseram nenhum dos três candidatos (32.296) daria para tirar o primeiro lugar de Junior Franco, posto ter recebido 31.107 votos.

Agora, em 2020, talvez julgando-se melhor preparado e palatável ao público, Bonezinho já sai patinando na largada, pois antes de lançar-se candidato a prefeito, penou mais que charuto em boca de bêbado.

A cronologia que apresentamos a seguir está fincada em dados oficiosos, posto que os políticos integram o grupo das classes mais dissimuladas do mundo.

Vamos a ela.

Um pouco antes da pandemia os bastidores políticos daqui já se ouriçavam nas montagens de grupos para a disputa de outubro (hoje transferida para novembro).

Durvalino Brocanelli (o político que jura nunca ter-se metido em política), começou a colocar em prática seu plano para dominar o Executivo, fundado na estratégia utilizada em 2016, quando conseguiu colocar três dos seus servos na Câmara (Deise, Marcelo e Regina), abraçando oficialmente quase 30% do Legislativo. Hoje, na verdade, tem quase 45% do total, contando os votos dos vira-casacas.

Assim, tendo pela frente um prefeito que até hoje não conseguiu ajeitar-se na cadeira (muito teimoso) e que ainda procurava cacifar-se para o pleito de novembro, tentou meter-lhe Bonezinho goela abaixo. Deu com os burros n’água.

Junior fechou com Carleto, abrindo espaço para o dono da IEQ apenas no segundo escalão, espaço este quase todo preenchido por Marcelo de Oliveira que, velha raposa, passou uma rasteira em Apolari e, junto com Deise Olímpio, formou a dupla linha-de-frente, apostando nos seus 2.273 votos, para trombetear os feitos do prefeito.

Para tanto, passou uma rasteira na professora Regina Corrochel (2.614 votos), vez que por ser mãe de Bonezinho (já preterido por Franco), não esboçou nenhuma reação buscando proteger o filho, embora tenha permanecido na Quadrangular.

Com carta-branca (com a qual, inclusive, colocou em risco a própria candidatura do prefeito), Marcelo de Oliveira, sob as rédeas de Brocanelli, colocou numa das secretarias o pseudo pastor evangélico Baraldi (da IEQ, é claro), para marcar território.

E, com a definição de Carleto na chapa de Junior Franco, emplacou uma inocente-útil no comando do Saema, só lhe faltando, agora, a TCA. No mais, está tudo dominado.

Descontente com o escanteamento, Bonezinho passou de “Menino de Ouro” para “Garoto de Prata” do Broca, fato que o levou aos braços de Pedrinho Eliseu.

Ali (segundo dizem os palpiteiros), viu-se obrigado a fingir-se desligado da IEQ, vez que Durvalino e Pedrinho também fingem ter trocado-de-mal, com desenlace de dedinhos e tudo o mais.

Com a estranha carta de “desfiliação” da IEQ, modalidade nunca antes vista em termos religiosos (posto ter sido a primeira vez que um fiel-sem-cargo, ou seja, um simples frequentador desligou-se de uma igreja por carta “amigável”), como se isto fosse preciso para não mais frequentar cultos.

Uma curiosidade: em patético movimento de peças no tabuleiro local, o ladino Brocanelli, para mostrar-se um poderoso “dono-de-engenho” de almas, disse que, diante da carta de renúncia de Bonezinho, fez “uma oração retirando” a sua “autoridade espiritual sobre ele”. (Pode?)

Tratou-se da baba da cobra: doravante Bonezinho pode até frequentar a IEQ, mas não irá para o céu, passando de prata à lata.

Garoto teimoso e de posse de uma espécie de carta-de-alforria, o ex-IEQ foi bater na porta do ex-prefeito Pedrinho, oferecendo-se como vice em chapa ainda não revelada.

Não obstante para Pedrinho tenha sido uma oferta bem palatável (vez que uma dupla assim seria quase imbatível, pelo menos considerando números passados), a mesma foi descartada pelo seu grupo, talvez por vislumbrar a história do “muita esmola o santo desconfia”, embora nem Pedrinho e nem Bonezinho acreditem em santos, tampouco o sejam.

Vagando no espaço, acreditando que não poderia candidatar-se à vereança, pois prejudicaria a mãe, e tendo pela frente um Helder Bovo (que não deve pagar placê); um professor petista (que, como todos os petistas, não se peja em assumir-se defensor de ladrões) e um poderoso Brambilla, mas sem garras, nem presas, posto que inelegível, aventurou-se e foi ter ele (Brambilla), oferecendo-se como o parceiro dos sonhos.

Mas teve que tirar o seu cavalinho da chuva, uma vez que Brambilla só faz aliança com ele mesmo – e olhe lá, pois de vez em quando tem alguma desconfiança de si mesmo, exatamente porque o cara que ele vê no espelho o encara acintosamente, além de insistir em ficar do lado contrário ao dele!

Valendo os versos de a Estrada e o Violeiro (“Sou um violeiro caminhando só, por uma estrada caminhando só”), não restou ao ex-Menino de Ouro e Prata (e agora de Lata) do Broca, buscar socorro com o deputado Campos Machado.

E aí, justamente aí, fez aquilo que entendemos uma colocação outsider (na acepção turfista), bem pangaré mesmo: sairá sozinho, pela terceira vez, candidato ao governo, apostando que os demais cavalos terão piriri na largada.

Pior: com o mesmo vice levando a cenoura!

Com essa pintura na moldura, de duas uma: ou queimaremos a língua e ele vencerá todos os seus adversários, ou torrará seu filme de vez, como fez o Breno Cortella, em 2016, quando amargou um terceiro lugar, fato que o faz dizer que nunca mais voltará à vida política.

Um dos maiores experts em política, consultado por nós, afirmou que Bonezinho pode ter mais sorte do que o juízo que está mostrando, se vencer o pleito; porém, assevera que a melhor estratégia para quem teve quase 50% dos votos disponíveis em disputa atípica, era a de sair candidato à vereador, com eleição garantida.

Depois, nas eleições de 2024, naturalmente ele nadaria de braçada, pois, se Juninho vencer agora, não mais poderá ser candidato outra vez, dando-se o mesmo com Pedrinho, enquanto Brambilla está inelegível até 2027.

Aí, o especialista pontifica: de um jeito ou outro, deixando passar as próximas eleições, disputaria as de 2024 com um candidato derrotado (não importa o qual), tendo a vantagem de haver atuado durante quatro anos no Legislativo, podendo escolher de que lado: estilingue ou vidraça.

Mas vá botar esta fantástica leitura diante dos olhos cegos de um garoto afoito!

(PS: A Justiça Eleitoral ainda não fixou limites de gastos para as eleições, mas estima-se que, para uma cidade do porte de Araras, um candidato a prefeito, para ter chances reais, terá que dispor de algo em torno de 2 milhões de reais. Ou mais!)

 

 

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