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Um tiro no pé atrás do outro

Júnior Franco prefere ser amigo do inimigo. Que pena!

Velha piada diz que dois grandes amigos de infância, machões até o último fio de cabelo, foram pescar no Guaçú, quando o Guaçú dava peixe. Enfiaram-se lá nos cafundós do Judas, aboletarem-se num barranco e lá pelas tantas uma cobra, vinda não se sabe de onde, picou o pênis de um deles. O outro, ao ver a desgraça feita, correu até o caminhão que tinham usado para ir à pesca, ligou um aparelho que os radioamadores usavam (não tinha celular naquela época) e pediu ajuda que, por coincidência, veio de um médico.

Ele explicou a situação e o doutor ordenou: volte lá, pegue seu canivete, faça um corte no lugar em que a cobra picou e chupe o mais possível para tirar o veneno e depois amarre e volte para a cidade. Terminada a ligação o tal amigo voltou e, ao ser perguntado sobre a ajuda, ficou sem jeito, criou coragem e disse: “Achei um médico, contei seu caso e ele disse que… você vai morrer!”.

É o que, simbolicamente, vai acontecer com o prefeito Júnior Franco.
Vamos por partes. Tendo brigado com o seu mecenas logo após ser eleito, teve que construir um caminho só seu e viu, no Carleto Denardi, seu muro de arrimo, escolhendo-o para guru.

A escolha foi ótima, pois Carleto é uma pessoa inteligente, tem experiência, sabe dos segredos dos porões e os dos sótãos.

Contudo, mesmo assim, não conseguiu evitar que Junior caísse nas mais imbecis armadilhas como, por exemplo, a dos procuradores.

Deu a eles o mundo e o fundo, e deles tem apanhado mais que cachorro sem dono (vide matéria do nosso colunista Justus Júnior nas páginas 5 e 7). Depois foi enxergando fantasmas em cada vulto, fato que o levou a dispensar seus mais fieis colaboradores. Mas os Procuradores continuaram lá, firmes e fortes, cada vez mais donos do pedaço.

Bem por isso, vários projetos foram enviados à Câmara e tiveram severas modificações, isto quando não foram totalmente rejeitados.

Tinha o apoio apenas do Apolari e o trocou pelo dos membros da IEQ, pensando, talvez, nas graças do Durvalino.

Marcelo de Oliveira o colocou em várias “frias”, fazendo-o até engolir um cara que se diz pastor, unha e carne com o dono da IEQ.

Bancou o almoço e o jantar, mas teve que lavar os pratos. Pior: sem comer um naco de nada.

E de escorregão em escorregão, de martelada em martelada na ferradura, chegou às vésperas das eleições que, cá pra nós, ganharia facilmente.

Sim, pois, bastaria que Carleto tivesse a lucidez de dispensar-se da chapa (ficando com o Saema), fato que atrairia Bonezinho para o ninho, formando uma dupla que só não seria imbatível se Pedrinho Eliseu se unisse a Brambilla (não tão impensável assim, pois políticos não têm palavra).

Impõe dizer que Bonezinho, queiram ou não, é a “Joia da Coroa” dessas eleições.

Porém, lá nos porões, os assessores jurídicos do Júnior, faziam das suas. E o último prego no caixão foi colocado agora, com o envio de um malfadado projeto que busca autorização da Câmara para utilizar quase dois milhões de reais de uma verba indevidamente carimbada.

Sim, pois, quando ela chegou, foi anunciada como sendo para combater a pandemia, mas, na verdade, seu destino era outro.

Obra de quem? Dos Procuradores.

Agora, com o tal projeto na Câmara, enfiou os burros n’água, pois, nenhum edil, por mais amigo que seja do prefeito, usará o canivete e sugará o veneno para salvá-lo.

Assim, o melhor que Júnior pode fazer é, nas primeiras horas da manhã de terça-feira, solicitar ao presidente da Câmara a retirada do projeto, evitando outra mordida de cobra(s).

Depois, deverá reunir-se com o Carleto e pedir-lhe a grandeza da renúncia, para que possa compor-se com Bonezinho e ganhar as eleições.

Não adotando nenhuma dessas medidas, lhe restará apenas a satisfação de haver governado a cidade nos piores dias que ela viveu. Nada mais.

 

 

 

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